Repensar a Idade Média
- 17 de mai. de 2018
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“Idade das Trevas” ou “Longa Noite dos Tempos”. Quando você pensa na Idade Média deve logo imaginar castelos sombrios, princesas e cavaleiros, guerras e monstros. Mas esses dez séculos foram muito mais complexos, variados e ricos do que sugere esse lugar-comum criado ao longo do tempo. Na verdade, não houve "uma", mas "diversas" Idades Médias, às quais os historiadores deram muitos nomes: primeira ou segunda, central, adulta, feudal, merovíngia, carolíngia, romana, gótica, época das catedrais ou dos principados.
Com certeza você já ouviu algumas destas expressões a respeito da Idade Média nas aulas de História, em matérias de jornais, dentre outras fontes. Assim como, a respeito da Inquisição, da “caça as bruxas”, das Cruzadas e dos cavaleiros templários, até o imobilismo social do feudalismo. Mas, diferente do imaginário comum, a Idade Média marca o surgimento das universidades, dos hospitais e de majestosas catedrais, o resgate dos clássicos da literatura grega e latina, o aprimoramento da Engenharia e do método científico, além do surgimento dos Estados nacionais europeus. Por isso a Idade Média não pode ser rotulada de maneira tão equivocada e simplista.
Ao abordarmos esse assunto em nossas aulas de graduação, apresenta-se a análise de Hilário Franco Júnior (historiador brasileiro, especialista em Idade Média), o autor em seu livro: A Idade Média – Nascimento do Ocidente, descreve, que os homens medievais ao utilizarem à expressão “Idade Média”, eles não teriam ideia do que estaríamos falando, como todos os homens de todos os períodos históricos, eles viam-se na época contemporânea. De fato, falarmos em Idade Antiga ou Média representa uma rotulação, ou seja, uma satisfação da necessidade de se dar nome aos momentos passados. No caso do que chamamos de Idade Média, foi o século XVI que elaborou tal conceito. Ou melhor, tal preconceito, pois o termo expressava um desprezo indisfarçado em relação aos séculos localizados entre a Antiguidade Clássica e o próprio século XVI. Então um tempo intermediário, de uma idade média.
Tendo em vista a arte medieval, por fugir aos padrões clássicos, também era vista como grosseira daí o grande pintor Rafael Sanzio (1483-1520) chamá-la de “gótica”, termo então sinônimo de “bárbara”. Portanto, o sentido básico ao referir-se à Idade Média mantinha-se renascentista (época do renascimento): a “Idade Média” teria sido uma interrupção no progresso humano, inaugurado pelos gregos e romanos e retomado pelos homens do século XVI. Ou seja, também para o século XVII os tempos “medievais” teriam sido de barbárie, ignorância e superstição. Os protestantes criticavam-nos como época de superioridade da Igreja Católica. Os homens ligados às poderosas monarquias absolutistas lamentavam aquele período de reis fracos, de fragmentação política. Os burgueses capitalistas desprezavam tais séculos de limitada atividade comercial. Os intelectuais racionalistas deploravam aquela cultura muito ligada a valores espirituais. O século XVIII, antiaristocrático e anticlerical, acentuou o menosprezo à Idade Média, vista como momento áureo da nobreza e do clero. A filosofia da época, chamada de iluminista por se guiar pela luz da Razão, censurava, sobretudo a forte religiosidade medieval, o pouco apego da Idade Média a um estrito racionalismo e o peso político de que a Igreja então desfrutara.
Em suma, o ritmo histórico da Idade Média foi se acelerando, e com ele nossos conhecimentos sobre o período. Em uma divisão cronológica: sua infância e adolescência cobriram boa parte de sua vida (séculos IV-X), no entanto as fontes que temos sobre elas são comparativamente poucas. Sua maturidade (séculos XI-XIII) e senilidade (século XIV-XVI) deixaram, pelo contrário, uma abundante documentação.
Herdamos dos medievais o gosto por ouvir boas história, boas narrativas e canções, tempo onde a oralidade dominava os meios de comunicação e saber, causa em nós esse interesse e fascínio pelo medieval, esse mundo embora muitas vezes mal compreendido nos deixa de olhos bem abertos aos seus mistérios e encanta a todos os contemporâneos. Desse modo compreendemos a importância do repensar denominações, esperamos ter desconstruído estereótipos, e estejam abertos para diversos outros conhecimentos e curiosidades. Gostou desse texto? Compartilha, e chama os amigos para curtir conosco. Divirtam-se!
Indicação de leitura e referência - FRANCO JUNIOR, Hilário. A Idade Média – Nascimento do Ocidente. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1990.
Indicação de filmes - O incrível exército de Brancaleone. Ano: 1966. Direção: Mario Monicelli. Gênero: Aventura / Comédia- Temática: Guerras e Revoluções.


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