O Uso de RPG no Ensino da História
- 30 de nov. de 2018
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*Essa publicação contém altas doses de entretenimento* Olá pessoal do medievo, hoje nossa publicação terá uma temática diferente (como assim?) Isso mesmo, será um publipost super atual, interessante e ótimo (IDEAL) para os professores de História. Ou você aí apaixonado por jogos, que pretende além de jogar, aprender um conteúdo bacana haha!! Não fiquem de fora dessa nova onda de conhecimento...
Sabemos que a história sofreu grandes transformações no decorrer dos séculos, de mesmo modo, a forma de ensinar, de se passar conteúdo, o clichê de “professor fala, aluno escuta” se encontra de forma quase inexistente, as práticas pedagógicas sofreram mudanças consideráveis, o que influi diretamente na sala de aula, na forma como o saber é repassado e absorvido pelos estudantes, de modo a torná-los mais críticos e pensantes. O formato do ensino como um todo, encontra-se repleto de novas tecnologias, novas linguagens e novos métodos de ensino. O post de hoje, objetiva apresentar como o uso do RPG (Role Playing Game), um jogo de interpretação de personagens, enquanto metodologia, pode ser implementado no ensino da história.
Antes de mais nada, será necessário entender como funciona o jogo de RPG para uma melhor compreensão desta publicação. No RPG tudo se inicia com uma história base, essa que será usada como ambientação durante as partidas futuras, de forma similar as cenas de uma peça de teatro, essa história é “contada” pelo mestre (ou no Game Master GM) que pode usar de improvisos ou histórias reais, já que é que ele quem manda na trama, do outro lado do espectro, existem os jogadores, estes são quem de fato interpretarão os seus respectivos personagens, que são moldados por eles mesmo a seus gostos dentro das limites estabelecidos pelo narrador, juntando os dois lados, a história se inicia, com os jogadores interpretando e moldando na história juntamente com o narrador.
Todo jogo tem ‘regras’ e no RPG não poderia ser diferente né, pessoal? Nesse caso elas vêm escritas em manuais que contém instruções e ideias para a criação de campanhas (histórias), personagens e antagonistas (jogadores e seus papéis), esses manuais também podem descrever os cenários onde as aventuras podem acontecer e o tipo de personagem que os jogadores podem ou não criar.
O RPG como método ensino na história se mostra bastante interessante, o que pode ser visualizado a partir da seguinte pergunta: “Porque não ensinar história, usando um jogo onde o principal ambiente é construído sob uma história?” percebem que as áreas se complementam? Em exemplo: não seria interessante, aprender sobre a Segunda Guerra Mundial na perspectiva de um soldado? Sendo essa uma ideia inserida de forma provavelmente adaptada, mas sem perder a essência, o estudante poderia, de uma forma mais natural, absorver os conhecimentos necessários referentes à disciplina visto que durante o jogo, os seus personagens estão em constante evolução e em uma história a qual eles não tem controle (pois o professor seria o Mestre ou Game Master), ou seja, pra evoluir, o jogador precisa: 1) conhecer o seu personagem (características e origem, por exemplo) e 2) conhecer o ambiente onde o mesmo está inserido, ambiente esse que será criado e explanado pelo professor em sala de aula.
Durante o uso do RPG em uma sala de aula, como explicado por Valério¹ (2011):
“Ao se interessar pelo jogo, o aluno-jogador irá à procura de ideias para o seu personagem, estudará locais que serão úteis de se conhecer durante a aventura e pesquisará sobre os aspectos que serão a base para uma melhor interpretação do seu personagem, já o mestre, deverá reconstruir um espaço tempo e uma sociedade, criando a ideia de que a criatividade será utilizada como uma caixa de ferramentas na busca por soluções dentro do jogo.”
O RPG, enquanto jogo de interpretar, de acordo com Xavier² (2011), “pode interpretar e mesclar os dados históricos em uma partida, sem que o elemento lúdico, importante para a atenção dos alunos se perca no processo, além de instiga-los à imaginação”. Uma partida ministrada por um professor competente pode, sim, esclarecer para os alunos variados temas históricos. (XAVIER, 2011).
O RPG tem um grande potencial criativo, possibilitando para o professor, inúmeras oportunidades dentro e fora de sala, pode ser usado tanto como ferramenta de apoio ao aprendizado, como ferramenta avaliativa, mas como? Vejamos, em uma semana x o professor (enquanto Game Master) usa uma partida para ambientar e apresentar o ambiente que seja estudar no decorrer daquela mesma semana, na semana seguinte, em uma nova partida, ele pode usar o conhecimento exposto na partida anterior dentro de uma situação inesperada, ou mesmo, avaliar esse conhecimento usando o jogo em paralelo a um filme ou discussão.
O que pode ser percebido, como explicado anteriormente é que o RPG como método de ensino da história, pode, não substituindo, mas sim reforçando o modelo de ensino mais ‘usual’, ampliar a forma como o conhecimento é absorvido, por ter uma característica naturalmente maleável. Ex exemplo, o RPG pode ser empregado sob qualquer circunstância, por necessitar do mínimo de material. O jogo de interpretação, se bem aplicado, estimula a curiosidade do estudante em sala de aula, fazendo-o pesquisar sobre a história em questão, colaborando para o aprendizado da matéria.
O RPG, como proposta metodológica no ensino da história se mostra bastante proveitoso, pois proporciona ao estudante, uma apresentação mais simplificada do ambiente de estudo, da matéria, quanto as características, pessoas, espaço tempo, costumes, consegue inserir o mesmo dentro do tema abordado sem que o ele se sinta perdido ou desconfortável no processo de ensino-aprendizagem, favorecendo além do pontos propostos aqui, a interação social do estudante com os demais, estimulando a comunicação, fortalecendo laços sociais dente e fora da sala de aula.
Muito bom o texto de hoje né? Informativo, usual, e necessário para as práticas metodológicas. Repassa esse texto para os professores e apoia nosso projeto, enviando sugestões e comentários. Bons estudos, e fica a dica > joguem RPG (que tal, um ambiente medieval?). Até mais galerinha!!!
Referências e dicas de leitura:
¹ Graduado de História, com projetos de Metodologias de Ensino com uso do RPG orientado por Jean Carlos Moreno. Pós-graduação Lato Senso em Metodologia do Ensino de Filosofia e Sociologia. Atualmente pesquisando a História dos Jogos Digitais, sua preservação e aplicabilidade no ensino de História.
² Possui graduação em Licenciatura Plena em História pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (2011). Pós-Graduado em Educação e Ludicidade no Espaço e Não-Escolar pela Faculdade Frassinetti do Recife/FAFIRE (2015). Professor da Secretaria de Estado de Educação e Qualidade do Ensino (SEDUC) do Estado do Amazonas, exercendo atualmente docência na EETI Professor Djalma da Cunha Batista.
https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/rpg.htm
DOS SANTOS VALÉRIO, Alexandre Schwarzenegger. ENSINO E IMAGINAÇÃO: O USO DO RPG COMO FERRAMENTA DIDÁTICA NO ENSINO DE HISTÓRIA.
XAVIER, Raphael. RPG e o ensino de história: diálogos e perspectivas. Revista Encontros de Vista, v. 7, p. 86-93, 2011.


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