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As mulheres no medievo - "uma parte oculta?"

  • 27 de nov. de 2018
  • 4 min de leitura

Se você leitor assíduo do medievo literário ou até mesmo novato na página, “passarem” o olho rapidinho nas publicações e seus respectivos temas, irão perceber talvez, uma falta das temáticas relacionadas e direcionadas ao feminino no medievo. Mas, porque essa falta? Seria culpa nossa? Não!! Hahaha


Mesmo com tão poucas informações relacionadas no tocante às mulheres pode ser observada alguns aspectos, dentre esses, imaginar que a mulher não era valorizada no contexto antigo e medieval, caraterizada em uma imagem distante na sociedade em relação ao homem. Os poucos estudos feitos sobre a História da mulher, em comparação ao grande número de estudo sobre a vida do homem no medievo, se configuram em vertentes distintas e separadas, na qual não facilita no estudo que os envolvem, em torno da sociedade medieval.


Tal vitalidade que pode ser abordada e demonstrada na literatura, uma (das) memória histórica, na qual deve ser referenciada e apreciada de maneira colaborativa no estudo que se amplia ao feminino, no tocante ao contexto do medievo. Historicamente as mulheres eram obrigadas a viverem dentro de casa ou em conventos, onde elas não podiam sair sem o acompanhamento e a permissão paterna. Muitos estudiosos antigos acreditavam na submissão da mulher e no discurso misógino – significa ódio às mulheres ou repulsa ao contato sexual com as mulheres –. Em exemplo, Aristóteles, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, todos eles tratam a mulher com inferioridade ao homem. A igreja também se representa como um símbolo negativo desde a primeira mulher, Eva, trazendo-a como a fraqueza do homem. A mulher também era voltada ao significado de corrupção moral por menstruar, e por isso não tinha permissão de ir às missas, tocar em adornos sagrados e não exercer funções sacerdotais.


Desenvolvendo mais sobre esse aspecto de corpo, e sexualidade feminina no medievo, uma consideração de um ato desviante no meio social, pois, para a Igreja, a mulher deveria permanecer pura, ou manter relações sexuais após o casamento, e com qual resultar? Isso mesmo, a finalidade de procriação (filhos). As mulheres também não tinham o direito ao prazer sexual, uma vez que a sociedade masculina era incumbida de não deixá-las ter orgasmo. Seria, um prazer antes tudo voltado do homem e para ele mesmo?


Le Goff (importante medievalista) acredita que a mulher sempre foi vista como inferior ao homem, devido a sua sexualidade e responsável por conduzir a humanidade ao pecado, “forte né?”, e o cristianismo pouco fez para mudar essa situação. Um delinear que leva a doutrina cristã propagar a submissão da mulher ao homem, e ela como um ser inferior, de pecado, vulnerável aos desejos da carne, dentre tantos outros aspectos. Somente no século XII ocorreu uma mudança de direção na espiritualidade cristã, quando se instituiu o culto a Maria, “que passa a sublinhar a redenção da mulher pecadora por Maria, a Nova Eva” (LE GOFF, 2005, p. 285), considerada por muitos uma maneira de promoção da mulher.


Vejam uma sexualidade feminina diante a sociedade medieval, resultante da grande influência das doutrinas cristãs, no qual seus fortes ensinamentos e discursos, dirigidos à mulher reduzem seu papel e importância em um ambiente privado, no convívio para/o homem e submissa. Diante dos estudos, no casamento (importante para ordem e honra social), o único papel da mulher é cuidar do marido e dos filhos, e a sua relação sexual é basicamente para procriação, ou seja, com o surgimento do casal em sí, um projeto de relação entre home e mulher, se torna uma instituição do casamento cristão, monogâmico e sem percas. Portanto, a representação do feminino diante o contexto social durante a Idade Média, consiste de heranças que retratam a inferioridade e submissão, desde os discursos proferidos pelos filósofos da antiguidade clássica e das doutrinas cristãs vigente na época.


Conhecendo um pouco mais sobre as mulheres no medievo

De acordo com os estudos e fontes, com todas as oposições da igreja entre os séculos XII e XIII foi criado um mosteiro só de mulheres nobres, e com mulheres que nunca se casariam ou viúvas. Um convento com a presença de líderes mulheres, onde também, os dotes das mulheres nobres e as doações, compras e trocas de terrenos era essencial para o funcionamento dos mosteiros. As monjas não se espantavam com sua representação feminina negativa, e o seu contato com o mundo exterior tinha que ter o aval com homens do clero ou criados que tinha como objetivo proteger suas virtudes femininas, a virgindade e a castidade. Observa-se então, que mesmo no que refere à um grupo, há o surgimento de mulheres importantes e presentes (voz/posição) onde no tempo é vigente o masculino.


O papel da mulher na história vem sendo um dos tópicos de interesse nos estudos medievais, como uma forma de resgatar as minorias invisibilizadas pela historiografia tradicional. Torna-se importante mostrar o feminino, seja em qual época for tratada, e legitimo também, aprofundar os conhecimentos e interesse na área tocante a gênero e aos estudos dos movimentos sociais e políticos femininos. Por que não mostrar e desvendar essa parte tão oculta da história? Por que só analisar a história e bem feitos de ‘grandes homens’? No caso da Idade Média, as fontes históricas utilizadas no estudo da participação feminina ao longo da história são quase exclusivamente documentos literários e religiosos de autoria masculina, o que levou a concepção generalizada de uma Idade Média masculina. É possível exercer a criticidade, e necessário! Uma nova história das mulheres deve ser alcançada e levantada no berço historiográfico antigo e medieval.


Esperamos que tenham compreendido o viés textual, e essa busca da legitimidade feminina e do exercício para que a voz e a participação das mulheres em nossa História não se torne mais caso “à parte.” Bons estudos, avante!!!


Dicas de leituras e referências:

FRANCO JÚNIOR, Hilário. A Idade média: nascimento do ocidente. 2º ed. rev. e ampl. São Paulo: Brasiliense, 2001.

RAMALHO, Christina (org.). Literatura e Feminismo. Propostas teóricas e reflexões críticas. Rio de Janeiro: Elo, 1999.


Dicas de vídeo:

 
 
 

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