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Uma dose de Literatura Medieval

  • 10 de mai. de 2018
  • 3 min de leitura


A literatura medieval, na sua maioria centrada na mentalidade cristã, nos fatos históricos e na organização social, deixou certos valores em plano inferior. O que podemos entender por planos inferiores, são as emoções, as paixões ou os conflitos do homem. Na literatura iletrada da época (sem domínio da leitura e escrita), a relação com a noção de natureza e meio social correspondia à visão de mundo da coletividade, daí a leitura de muitas obras se voltarem ao sociocultural.


Aprendemos desse modo, que em uma sociedade, na qual o pensamento é coletivo, a literatura vai ser resultado de uma produção social, sintetizando a vivência e os conhecimentos do próprio grupo (hábitos, costumes, crenças e a cultura de modo geral), acrescentando-se possíveis transformações a cada versão de um texto. Tal literatura, teoricamente, não permitiria outras leituras, já que a interpretação era delimitada pelos poetas e por aqueles que liam em voz alta, como o exemplo dos jograis. Jogral, na poética emotiva medieval, até o século X, era o artista profissional de origem popular, ou seja, não pertencente à nobreza que tanto atuava nas praças públicas, divertindo o público.


Neste caso, a própria entonação demarcada pelos versos facilitava memorizar o ritmo do discurso. Assim, os jograis identificavam-se com a necessidade que essa população tinha de associar a cultura, pois eles tinham habilidades com a fala poética, além de conhecer elementos de outras culturas. A Literatura, por meio do discurso, torna verdade àquilo que estava na imaginação da coletividade, permitindo ao leitor atual concretizar o diálogo entre simbologias de dois tempos históricos distantes entre si. Atualmente, estudiosos, principalmente de Literatura e de História, interessam-se em compreender e perceber o real valor da obra medieval tanto para aquela época quanto para a nossa. As narrativas medievais têm sua primeira manifestação na forma oral, influenciadas pela ideologia daquele período.Diante desse contexto, vocês podem se perguntarem, quais os campos de real interesse dos estudiosos da literatura medieval no Brasil? A resposta então, se refere à literatura portuguesa e galego-portuguesa e a literatura brasileira, em uma perspectiva de comparação, com enfoque nos estudos de fontes e influências. A poesia trovadoresca galego-portuguesa é, sem dúvida, o objeto de maior interesse entre os brasileiros que se dedicam à literatura medieval.


Mas então, porque se remeter a uma única área? Devido ao lírico, satírico e religioso, ou melhor dizendo, as cantigas de amor e de amigo, as cantigas de escárnio, dentre outros, são alvo de investigações tanto de aspectos de ordem mais estritamente literários, como discussões, estruturas retóricas (arte do bem argumentar, da oratória), categorias poéticas, quanto de aspectos de ordem cultural e sócio-político. Em relação às experiências e diferenças de vivência, estas são desenvolvidas no campo da História Social e da História das Mentalidades somadas, e mais recentemente, ao campo investigativo aberto pelos Estudos Culturais. São temáticas como, por exemplo, a representação da mulher e seu papel no interior da cultura medieval, são objeto de diversas pesquisas. Algumas delas observam e discutem as pessoas líricas (sentimental; repleto de sentimento) constitutivas dessa tradição como representantes de personagens sociais, como a mãe, a moça da vila, a dama, a prostituta ou soldadeira, entre outras, e discutem sua caracterização e a função que desempenham dentro desse grupo, sempre a partir da análise do corpus poético.


Então chegamos ao fim, por hoje haha. Que esta síntese sirva, para você leitor, como uma fonte de análise e que permita curiosidade para uma maior procura sobre a literatura medieval e um aprofundamento com a História. Já vimos que a junção de ambas, pode ser bacana ein? Sem desculpinhas, e boas leituras (tem para todos os gostos). Até breve.


Dicas de leituras - MALEVAL, Maria do Amparo Tavares. Poesia medieval no Brasil. Rio de Janeiro: Ágora da Ilha, 2002.


Dicas de filmes - O nome da rosa. Ano: 1986. Direção: Jean-Jacques Annaud. Gênero: Suspense / Drama- temática: religião, Igreja na Idade Média, vida dos monges.

O feitiço de Áquila. Ano: 1985. Direção: Richard Donner. Gênero: Aventura /Romance / Drama. Temática: lendas medievais, imaginário medieval


Referências - LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval. José Rivair de Macedo (Trad.). Bauru, SP: Edusc, 2005. Coleção História.


LE GOFF, Jacques; SCHMITT, Jean-Claude. Dicionário temático do Ocidente medieval. São Paulo: EDUSC, 2002. v.1. p. 185-199.




 
 
 

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