Vivências no Medievo
- 4 de jun. de 2018
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Já parou para pensar, como seriam as vivências no medievo? As maneiras na qual eles se comunicavam dia a dia? Lembrem que não havia Whatsapp e nem Instagram (haha). Mas uma das maneiras de se bater um papo era através do mundo dos símbolos, que teve papel importante no cotidiano dos medievos. Os objetos, os gestos, as fórmulas tornavam-se necessários às representações mentais daquelas pessoas. Levavam o homem a expressar seu mundo interior e a interpretar e buscar muitas explicações do mundo exterior e do desconhecido. Ainda no âmbito da simbologia, percebemos fragmentos textuais da comunicação medieval pelos gestos, que justificam uma sociedade em que a escrita ainda não estava ao alcance de todos, prevalecendo à oralidade e a gestualidade na comunicação da cultura e das lendas daquele povo, além de claro paquerar aquele ou aquela crush.
Com a unidade política entre Igreja e império, ocorreu a recuperação da economia, a expansão dos territórios cristãos e o surgimento das línguas vernáculas (idioma próprio de um país, de uma nação ou região; é a língua nacional), as quais se sobrepuseram ao Latim do Império Romano, inclusive com o aparecimento dos primeiros textos literários em línguas neolatinas. O trabalho dos copistas (transcreve manualmente textos), principalmente nos mosteiros, permitiu a manutenção de textos clássicos e o resguardo de textos medievos, impedindo que os conhecimentos adquiridos fossem extintos.
No contexto de vivências podemos associá-la a cultura, e adentrar no entendimento do termo para os medievos, de um lado, a cultura erudita, de elite, cultura letrada que pelo menos até o século XIII foi eclesiástica do ponto de vista social e latina do ponto de vista linguístico. Conscientemente elaborada (mas sem deixar, é claro, de ser tributária da mentalidade*), era formalmente transmitida (escolas monásticas, escolas catedralícias, universidades). Por isso, tendia a ser conservadora, a se fundamentar em autoridades. De outro lado, estava a cultura que já foi chamada de popular, laica ou folclórica, e que preferimos denominar “vulgar”, pois para os medievais esta palavra rotulava sem ambiguidade tudo que não fosse clerical (favorável ao clero ou à Igreja). A cultura vulgar era oral, transmitida informalmente (nas casas, ruas, praças, tavernas etc.) por meio de idiomas e dialetos vernáculos (sem estrangeirismos na pronúncia). Espontaneamente elaborada, ela expressava a mentalidade de forma mais direta, com menos intermediações, com menos regras preestabelecidas. Ideologicamente, ela se inclinava a recusar os valores e práticas oficiais.
Num maior entendimento dos idiomas vernáculos, podemos compreender que na Europa dos romanos, o latim fora usado segundo as normas cultas (o latim clássico, falado e escrito em situações formais) ou de maneira popular (o latim vulgar). O latim sobreviveu apenas como língua eclesiástica (relativo à igreja). Mas não como língua materna, pois os eclesiásticos falavam o mesmo idioma de todas as pessoas de sua região, aprendendo o latim apenas com o ingresso na camada clerical. Por toda a vida os oratores eram bilíngues, falando um idioma vulgar nos seus contatos com a sociedade laica e o latim na relação com seus pares e na atuação profissional. As línguas vulgares eram de todos.
Também pertencia à cultura intermediária a manifestação cultural mais significativa para a Idade Média — o cristianismo. Sendo uma religião, sua função era de reaproximar as instâncias divina e humana. A primeira conhecida através de mitos, à segunda buscando comunicação com ela através de ritos. Se no caso do cristianismo medieval os mitos são na origem, quase sempre, produto da cultura vulgar (53: 45- 67) e os ritos da cultura clerical, com o tempo as influências interculturais apagaram tais fronteiras. Os textos considerados “inspirados”, ou seja, escritos por Deus por intermédio de autores humanos (profetas e apóstolos), tornaram-se canônicos, isto é, reconhecidos pela Igreja como representando a Palavra de Deus. A teologia medieval foi exatamente a busca de certa racionalização daqueles relatos, a tentativa de desfazer tal mitologia cristã.
Caros leitores, diante desse post, podemos concluir que várias são as vivências medievais, e suas formas de comunicações (quem sabe eles estariam tão animados para os jogos da copa quanto à gente? Haha vem hexa!) e que o cristianismo medieval tal qual sentido e vivido pela quase totalidade da população, clérigos e leigos, era um componente — o componente central — da cultura intermediária daquela sociedade. Então, gostou deste texto? ajudae ô! Recomende para seus amigos e para o @ pelas redes sociais, e se inscreve. Até a próxima, galerinha.
Dicas de filmes - Em nome de Deus. Ano: 1988. Direção: Clive Donner. Gênero: Drama /Romance /Histórico. Temática: universidades medievais, religião na Idade Média.
Dicas de leituras e Referências – FRANCO JUNIOR, Hilário. A Idade Média – Nascimento do Ocidente. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1990.


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