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Conhecendo a Germânia de Tácito

  • 12 de jun. de 2018
  • 3 min de leitura

Para compreendermos melhor o intuito desta publicação, devemos direcioná-los para a pergunta - eu sei que está na sua mente – afinal, quem é Tácito?


Tácito foi um historiador, orador e político romano. Considerado um dos maiores historiadores da Antiguidade, o romano Públio Cornélio Tácito ou Caio Cornélio Tácito nasceu no ano 55. Sua produção historiográfica tem os traços característicos do historiador antigo. Realizou ampla carreira jurídica. Em 81, chegou a questor (magistrado criminal). Em 88, tornou-se pretor (magistrado que administrava a justiça) e finalmente, em 97, cônsul (magistrado supremo). Seu dote oratório como jurista já era reconhecido, mas foi como historiador que Tácito alcançou a fama. Entre os anos 100 e 117, escreveu suas duas maiores obras: "Anais" e “Histórias”, neles, Tácito relatou a história dos imperadores romanos desde Tibério até a morte de Nero. Além dessas duas obras monumentais, Tácito escreveu a "Germânia" (em que trata da vida e da cultura dos povos germânicos).


Além disso, Tácito foi grande autor, um dos prosadores mais, aprimorados da literatura latina. Em estilo literário as obras de Tácito são conhecidas por sua densa prosa que raramente minimiza os fatos, um contraste com o estilo de alguns de seus contemporâneos, como Plutarco. Na maioria de suas obras, ele mantém a ordem narrativa cronológica, raramente revelando um contexto mais amplo e deixando que o leitor construa este contexto por si mesmo.


Que tal, conhecermos um pouco juntos sobre essa obra encantadora? Vamos lá! "Germânia" (em latim: De Origine et situ Germanorum) é uma monografia histórica e etnográfica onde o autor percebe a ameaça dos germanos pela sua forte noção de libertas (liberdade, inexistente em Roma), bem como pela coragem (virtus). O livro contém 46 capítulos, tratados de forma descritiva, em seus primeiros capítulos com uma descrição das terras, leis e costumes das várias tribos. Os capítulos finais focam na descrição das próprias tribos, começando com as que viviam mais perto do Império e terminando com uma descrição das que viviam na costa do mar Báltico.


Os antigos compreendiam, sob o nome da Germânia não apenas o país que forma hoje a Alemanha, mas ainda a Dinamarca, a Suécia, a Noruega, a Lituânia, a Letônia, a Estônia, a Finlândia, etc. Vale lembrar que o termo “germânico” é genérico no período, se referindo muito mais a uma situação geográfica e linguística em relação aos romanos do que propriamente em relação a uma região e uma cultura concisa, uma vez que na obra, o autor refere-se a populações residentes na Gália Central (atual França), e falantes de línguas célticas como igualmente germânicas.


No contexto das vivências germânicas, o autor descreve, por exemplo, a esfera do casamento no seguinte trecho: “Sou da opinião dos que creem que os povos da Germânia não se alteraram por casamentos com nenhuma outra nação e que são uma raça singular, genuína e semelhante só a si mesma. Portanto, possuem uma perfeita analogia de figura entre eles, ainda que tão numerosos; são de olhos azuis e selvagens, de cabelos ruivos, corpo avantajado e forte só para o ataque violento, mas não suportam com resignação os trabalhos e as fadigas, metem-lhes medo o calor e a fadiga, todavia toleram a fome e o frio por afeitos à avareza e à inclemência do clima.”


Em trechos seguintes, descreve a figura do rei, importante em toda história medieval: “Os reis são eleitos conforme a sua nobreza, mas os capitães, escolhidos segundo a sua capacidade. O poder dos reis, entretanto, não é ilimitado ou absoluto e os chefes comandam mais pelo exemplo dos seus atos e pelo atrevimento das suas ações do que pela força da sua autoridade. Se se mostram ousados e destemidos e conseguem arrebatar a vitória, governam sob admiração dos povos. Entretanto a ninguém, a não ser aos sacerdotes, se consente o direito de açoitar, prender ou matar: a pena não é considerada como castigo ou execução das ordens de um comandante, mas imposta pelos deuses que, como creem, presidem aos combates.”


Esperamos que tenham compreendido o objetivo da publicação, e como encaminhamos ao estudo da Idade Média, nos deparamos com muitas fontes da antiguidade, trazendo uma questão que se torna importante: o pensar sobre como conhecimento histórico é construído, uma questão chave para qualquer estudante e interessado em História. Bom, vamos finalizando nosso post por aqui (calma, que ainda virão muitas novidades haha).


É isso galerinha, bons estudos e compartilhem! Até breve.



Dicas de filmes - Excalibur. Ano: 1981. Direção: John Boorman. Gênero: Drama /Aventura/Fantasia , Temática: Lenda do Rei Arthur.



Referências – Germânia (trad. e notas de Sadi Garibaldi). Rio de Janeiro: Editora Livraria Para Todos, 1943. Essa tradução foi confrontada com CAYO CORNELIO TÁCITO. Obras completas (traducción, introducción y notas. Obra publicada bajo la dirección de VICENTE BLANCO Y GARCÍA). Madrid: M. Aguilar Editor, 1946, p. 1011-1044.

 
 
 

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