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A mentalidade mágica ocidental: o caso das feiticeiras

  • 18 de jun. de 2018
  • 4 min de leitura

Hoje nosso post é de bastante curiosidade, um tema ainda pouco conhecido, mas de importante saber em épocas sombrias (haha). Vocês podem compreender o termo magia em variados aspectos, inicialmente é importante desvencilhar de qualquer pré-conceito. Em geral, a magia é um procedimento mágico, fantástico. Assim como, vocês também devem entender como uma forma de ocultismo que estuda os segredos da natureza e a sua relação com o homem. A magia tem características ritualísticas e cerimoniais que visam a entrar em contato com os aspectos ocultos do Universo e da Divindade.


Dentre esses rituais, se insere a feitiçaria, que está interligada ao mundo do desejo. Durante a Idade Média, através do novo alinhamento impresso no horizonte mental referente às práticas mágicas, fica a feitiçaria desprezada, do ponto de vista doutrinário, ao domínio exclusivo do mal – passa do simplesmente imoral ou erótico universo da antiguidade, para o pecado cristão medieval. Essa transição lhe causa uma indecisão do papel da feiticeira no mundo medieval, a consciência da antiguidade traz resquícios no homem medievo; uns quer sua presença, outros a nega. Dentro do imaginário medieval, a feitiçaria européia encontra-se intimamente ligada à existência de dois sexos – um dominante e outro dominado – e à tentativa deste último de superar esta situação por intermédio de atividades simbólicas e materiais.


Assim, a ação da mulher aparece em termos carregados de um conteúdo mágico e misterioso, demonstrando nas palavras “fascínio”, “encantadora” e “sedutora”, frequentemente termos utilizadas para representar e exprimir a ação da personagem feminina sobre o sexo oposto. Dentro do imaginário medieval, a natureza havia feito as mulheres incapazes de praticar o bem e tornando-as mais habilidosas ações do mal. Com as leis romanas condenaram de forma que, todo o uso de magia com fins maléficos terminassem, já que eles acreditavam que enfermidades e a morte eram atos mágicos que aconteciam com frequência. Os acontecimentos ligados ao mundo dos desejos seriam para ter resposta do amor não correspondido, durante a idade média, e outras destinações de práticas eram relacionados ao mal.


Pode surgir uma dúvida, então só existia a magia considerada má? Não, não pessoal, apenas a maldosa abrangia a estrutura maior no processo de mentalidades. Existia também a magia considerada benéfica, onde cabiam às práticas para cura, que na idade média eram usadas para curar ou amenizar doenças. As feiticeiras eram conhecidas como responsáveis para a cura, como também para ferir alguém. Já a magia europeia é mais voltada às relações amorosas, resultando nas porções feitas para enfeitiçar. Outra função é de intervenção como o envenenamento, muitos casos ocorreram na Roma imperial que tem ligação juntas entre o feitiço e envenenamento.


A feitiçaria pode estar vinculada a um acontecimento social, muitas vezes ligada a mulher como sacerdotisa em cultos. A mulher é vista como magia e mistério, manifestado com seu fascínio, encanto e sedução. Na antiguidade clássica, a feiticeira também produzia porções para os males no amor, na paixão que envenena o homem. Segundo os teólogos, as feiticeiras são atribuídas nas excessivas tendências de acreditar em sua performance enquanto agente de prazer. Um exemplo é quando as mulheres sofrem na procura de casamentos onde afetam tanto as mulheres solteiras como também as recém-viúvas, e para manter os laços de união que restavam, elas procuravam muitas opões, como sortilégios, orações, e porções, trazendo com isso uma esperança de duração matrimonial.


Na antiguidade além de suas magias, venenos, enfeites e cosméticos, as mulheres vistas como feiticeiras, recebiam pessoas de ambas os sexos para uma tentativa de solucionar os males do amor. As mulheres usavam a magia como se fosse uma válvula de escape já que no mundo que vivem sentem uma reprovação grande pela figura masculina, e com a feitiçaria abriria um caminho maior para suas fantasias amorosas. Uma sociedade que já tinha em sua convivência a condenação para esse ‘oficio’ das mulheres. Os seus hábitos e ações em feitiçarias amorosas se associam com a fabricação de enfeites, embelezamentos e venenos, que conduziria à uma reputação de esperteza as mulheres.


As denúncias dessas mulheres feiticeiras é uma atitude de desgosto, de tortura pública, que pune a coletividade entre o imaginado e a realidade, tornando-se culpado, não só do ato da tentativa como também da condenação moral e religiosa. Nesse mundo de feitiçaria onde os desejos são reprimidos, recorria-se a ela para a realização de seus impulsos profundos, controlado por uma moral padronizada e adotada pela autoridade religiosa. Portanto, a feitiçaria é essencialmente uma prática individual e urbana (na maioria dos casos), pois é na cidade onde os problemas humanos, os ódios, as paixões avolumam-se e ganham densidade, reclamando a presença de um intermediário no qual depositem as suas esperanças e desejos.


Concluímos nosso post de hoje (foi interessante, né?), também agradecemos por vocês terem viajado no tempo (muito bem acompanhados), para descobrir e adquirir conhecimento sobre a magia medieval e o quão foi importante o papel das feiticeiras. Até breve pessoal, e tomem cuidado nas porções de amor que distribuem por aí (brincadeirinha). Compartilhem nas redes sociais e avante!!


Dicas de filmes - O feitiço de Áquila. Ano: 1985. Direção: Richard Donner. Gênero: Aventura/ Romance/Drama. Temática: lendas medievais, imaginário medieval


Dicas de leituras e referências - NOGUEIRA, Carlos Roberto Figueiredo: Mentalidade mágica e poder na cristandade ocidental. In. OLIVEIRA, Terezinha.org. Luzes Sobre a Idade Média. Maringá: Eduem, 2002.


 
 
 

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