Fonte de saber: as crônicas medievais
- 11 de jul. de 2018
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Oi galerinha, esperamos que estejam curtindo as férias, mas sem o desfoque nos estudos ein? Que tal, tirarem um tempinho, ouvirem uma boa música, e apreciarem nosso post de hoje? Afinal, no tempo livre, também devemos dedicar espaço ao conhecimento e de forma agradável (estamos um pouco convencidas). O tema de hoje, é amplo, porém didático e sei que vocês aí vão adorar (dedinhos cruzados).
A palavra crônica deriva do Latim chronica e caracteriza, desde o início do cristianismo, um modelo de registro dos fatos históricos de acordo com sua ocorrência, ou seja, em ordem cronológica. Então vocês podem-se perguntar, de que maneira atuavam tais crônicas na Idade Média? Na Idade Média, as crônicas ganharam um status de História, os cronistas, todavia, buscavam registrar os acontecimentos sem a preocupação de investigar as causas ou estabelecer uma análise crítica dos mesmos.
As crônicas dominaram a Idade Média: os mosteiros importantes, as chancelarias dos papas, bispos e reis, faziam questão de ter as suas crônicas, ligando-as, ou não, a trabalhos já existentes. Era uma historiografia muito elementar, a que devemos, porém, notícias importantes sobre a vida política, religiosa, social, econômica e cultural da Idade Média. Comparados com o alto nível, alcançado na Antiguidade por Tucídides, Políbio e Tácito, os estudos históricos medievos significam um retrocesso inegável, mas em geral são superiores às Crônicas do Baixo Império.
Em maioria os cronistas medievais tinham bastante bom senso, notável dom de observação, eram ótimos contadores que se esforçavam por ser imparciais. Faltavam-lhes, porém, os métodos aprimorados da Crítica moderna e o "senso histórico", no sentido que nós costumamos ligar a essa palavra; além disso, não procuravam as causas remotas. Muitas crônicas medievas dão narrativas extensas e contínuas, tendo em comum com as crônicas dos séculos IV-VII só o nome: no sentido técnico da palavra, não são crônicas, mas anais (registro da história de um povo). A exposição artística da matéria histórica continua a desempenhar um papel de suma importância, mas isso não quer dizer que a historiografia seja literatura.
Na literatura o autor tem a liberdade de seguir o caminho de uma imaginação livre, limitada apenas pelas exigências distintas da realidade artística que quer mostrar aos leitores; na historiografia a imaginação é disciplinada por uma obediência incondicional aos fatos cientificamente verificados. Na literatura o autor pode defender qualquer tese que seja compatível com o seu assunto; na historiografia a tese é condicionada por fatos autênticos. Na literatura as belas formas do estilo, e a magia das palavras são fatores essenciais; na historiografia são fatores não sem importância, mas sempre acessórios.
O historiador é obrigado, como cada um que se serve da palavra, a escrever bem, mas o estilo de uma obra histórica não pode emular o dos poetas nem o dos oradores. Deve ser simples e claro, sem se perder em metáforas rebuscadas; deve evitar as hipérboles e o emprego de adjetivos desnecessários; deve fugir, antes de tudo, à retórica vã. Vale lembrar que a simplicidade e a sobriedade não excluem uma concepção artística nem um entusiasmo apropriado ao assunto, e sim uma declamação ostentativa de belas frases sem substância e sem pensamento.
Diante do exposto, podemos concluir que, a crônica medieval está relacionada a definições como gênero histórico e/ ou literário, uma vez que apresenta características destes dois campos de estudo. Na relação entre crônica medieval e História, uma retomada do conceito de História durante a Idade Média faz-se necessária. Então para explicar de maneira mais objetiva, recorremos ao Dicionário Temático do Ocidente Medieval (2006), que assim a define: “A história é um relato simples e verdadeiro, visando transmitir à posteridade a memória do que passou. [...] Naturalmente, a história não podia conservar a memória de tudo o que havia passado. Só devia fixar o que era digno de lembrança e relatar coisas memoráveis. Isto é, os prodígios, as guerras, os atos de príncipes e santos.”
Atualmente, a crônica medieval tem sido objeto de estudo tanto da História como da Literatura, se caracterizando como um documento histórico-literário, portanto, exige a interdisciplinaridade do trabalho de investigação. É isso, galerinha! Esperamos que tenham lido de maneira prazerosa, sintonizando essas duas áreas de conhecimento. Boas férias, e até breve.
Dicas de leituras: MASSAUD, M. A criação literária: prosa. São Paulo: Cultrix, 1984.
Dicas de filmes: Excalibur. Ano: 1981. Direção: John Boorman. Gênero: Drama/Aventura /Fantasia. Temática: Lenda do Rei Arthur.
Referências: LE GOFF, Jacques; SCHMITT, Jean-Claude. Dicionário Temático do Ocidente Medieval. v. I. Bauru, SP: Edusc, 2006. p. 526.
GUIMARÃES, Marcela Lopes. Crônica de um gênero histórico. Revista Diálogos Mediterrânicos, Curitiba, n. 2, p. 67-78, 2012.


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