Explorando as fontes: o imaginário do feudalismo
- 3 de set. de 2018
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Você já ouviu falar de Adalbéron de Laon? Nome que talvez soe um pouco esquisito, eu sei hehehe. Então que tal conhecermos sobre o imaginário feudal, explorando fragmentos e memórias medievais? Ao continuar a leitura, descobrirá o porquê Adalberón está inserido nas memórias. Bacana, né? Vamos lá!!!
Adalbéron de Laon (977-1030) é um poeta e bispo francês, famoso devido à um poema que fez menção as três ordens feudais “oratores, belatores, e laboratores”: o clero (a "Igreja das orações"), nobres e cavalaria (a "Igreja das lutas"), e, a terceira, o povo trabalhador (a "Igreja da labuta"), esta última apoia as outras, e todas apoiam a "construção" da humanidade. Esta ideia foi incorporada nas "três ordens sociais" do Ancien Régime, na França. Ou seja, a imagem da sociedade tri funcional nas suas primitivas expressões. A desigualdade não é negada. É justificada. Para os “inventores” desse quadro. O gênero humano estava assim dividido desde sua origem, assim que eles se viam.
Portanto, o que seria a ideia de “imaginário”? Levando em consideração, a análise proposta por Georges Duby (historiador francês, especialista na Idade Média), o imaginário é quando determinada representação mental (o que em nosso pensamento está pré-estabelecido) acede aos níveis mais altos da expressão escrita.
Georges Duby, em seu livro As Três Ordens ou o Imaginário do Feudalismo, analisa o que se denominou como “sociedade tripartida”. Estudando a obra de Gerardo de Cambrai e Adalberón de Laon, esse autor conclui que, para esses autores, a sociedade feudal estava dividida em três ordens. A dos oratores (clérigos), cuja função era a de representar a vontade de Deus na terra; a dos belatores (cavaleiros), que tinha a responsabilidade de defender os mais debilitados, o que incluía a Igreja e a terceira ordem, a dos laboratores (servos), cuja função era suprimir, através do trabalho, as outras duas ordens. Uma ideia de que a sociedade era composta por ordens durou até a revolução francesa. Supunha-se que através da tradição a sociedade era hierarquizada.
No texto do bispo Adalbéron de Laon percebe-se uma apresentação do “modo como Deus organizou a sociedade”. Temos a definição dos “estados”. A sociedade era estamental, uma forma de organização social na qual a sociedade é dividida em grupos sociais separados uns dos outros (nesse caso, talvez se lembre das pirâmides que os professores desenham e dividem em sala), exemplificando o primeiro estado, o segundo estado e o terceiro estado (...) clero, nobreza e camponeses. Esses estados também podem ser chamados de “ordens”. Devemos entendê-las como as “ordens” definidas por Deus a cada um. É por isso que se tornou comum dizer que a sociedade feudal era aquela em que uns oravam; outros guerreavam; outros produziam.
Apesar de o modo de vida e as recompensas entre os grupos sociais serem muito diferentes, acreditavam que cada qual receberia o seu mérito no Juízo Final, e mesmo reconhecendo que a vida de uns era mais privilegiada que outros, reconheciam a igual importância de todas as ordens para o bom funcionamento da sociedade. O rei, apesar de se identificar mais com os cavaleiros, não era considerado parte de nenhuma das ordens, a ele competia vigiar a sociedade, e fazer cumprir os deveres e serem justamente atribuídas às recompensas. Verificava-se, o funcionamento de toda a sua sociedade, podendo apenas ser aconselhado pelos cavaleiros ou clérigos.
Quanto aos burgueses, que começam a subir economicamente e a querer adquirir poder nesta época, são vistos de forma negativa e repulsiva, em parte por quererem quebrar a divisão das ordens, ou apenas porque relembro- esta visão se destinava às gentes da corte. Em uma anterior “divisão”, dá apenas importância às classes religiosas, dividindo os clérigos em três ordens diferentes. A nova visão analisada mantém assim a repartição tripartida, sendo desta vez o poder social e o ofício o principal divisor.
E aí, gostaram do tema de hoje? Estabeleceram alguma conexão com o nosso meio social? É importante o reviver das memórias históricas, para uma revisão e posteriormente sua análise. Que continuemos persistentes no caminho, a história serve para elevar o ser finito que somos, e para atuarmos no presente devido ao conhecimento de outrora. Até breve galerinha, avante!!
Dicas de filme: O feitiço de Áquila. Ano: 1985. Direção: Richard Donner. Gênero: Aventura/Romance/Drama. Temática: lendas medievais, imaginário medieval.
Dicas de leitura e referências:
As três Ordens, ou o Imaginário do Feudalismo. Editorial Estampa, 1982, 383 páginas.


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